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  • 05/20/19--14:43: Article 0
  • LLANSOL E IBN 'ARABÎ EM REVISTA

    Acaba de ser publicado online o número VI, de 2019, da revista El Azufre Rojo (O Enxofre Vermelho), revista de estudos sobre o místico sufi Ibn 'Arabî, editada pela MIAS Latina, a Sociedade Ibn 'Arabî de Murcia.

    Este número reproduz as intervenções do Colóquio A Imaginação do Amor, que teve lugar em Lisboa em 2017, com organização do Espaço Llansol, da MIAS Latina e do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com participação portuguesa, espanhola e brasileira.
    Todas as intervenções – e ainda um depoimento pessoal da Profª Christine Gruwez, que conheceu Maria Gabriela Llansol no exílio da Bélgica e a introduziu ao místico sufi – podem ser lidos na versão PDF a que se pode aceder através do seguinte link: https://revistas.um.es/azufre/issue/view/17961/1171

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  • 05/26/19--07:06: Article 0
  • «PORQUE HÁ UM CONTRATO...»
    O Vivo e a tecitura do mundo


    Tivemos ontem no Espaço Llansol uma sessão viva sobre o Vivo. Com a participação da Profª Teresa Cadete (jubilada da Faculdade de Letras de Lisboa), escritora e até há muito pouco tempo Presidente do PEN Clube Português, com uma permanente intervenção em áreas como as do Comité dos Direitos Humanos, dos Escritores para a Paz, da luta contra o Acordo/Aborto Ortográfico... Apresentámos mais um caderno de textos de Maria Gabriela Llansol sobre o tema, e pudemos ver uma dupla exposição: de livros, cadernos manuscritos, documentos da biblioteca e do espólio de Llansol, e de painéis com fotografias legendadas que mostravam alguns dos «Vivos» que acompanharam a Maria Gabriela ao longo da vida – do gato Fanfan da infância à Melissa de Sintra e aos muitos gatos dos anos da Bélgica e de Colares, de Prunus Triloba ao pinhal de Colares e ao Grande Maior da Volta do Duche e ao cão Jade...





    O ponto de partida foi o titulo que Teresa Cadete encontrou para a sua exposição: «Presos no tecido do mundo», que implica desde logo uma visão holística, de interdependência e cooperação entre todos os agentes do Vivo:

    Porque há um contrato... um «acordo de criação»... É o homem que tarda no cumprimento 
    da sua parte do acordo.
    Aliás, todo o movimento do texto e das figuras de desenrola numa respiração ampla, marcada
    por uma sístole e por uma diástole. A sístole é aguda e está a cargo do Homem, que tem por
    incumbência perscrutar. A diástole compreende os graves, que estão en contacto com as
    fontes de alegria. Sempre se pediu que a alegria fosse profunda, como o amor. Os graves
    estão a cargo dos animais e da terra. (M. G. L., entrevista «O espaço edénico»)


    Abordaram-se em seguida algumas questões subjacentes aos textos de M. G. Llansol que incluímos no caderno Llansol: O Contrato com o Vivo, para os amplificar com considerações sobre o estado actual dessa antiga dialéctica tensional entre os contratos– o social (de Rousseau) e o natural (de Michel Serres) – e sobre a relação entre os universais antropológicos da espécie humana e os direitos de todas as outras «entidades» do Vivo. Teresa Cadete proporcionou-nos uma perspectiva informada e crítica sobre essa grande construção a que Llansol sempre chamou o seu «projecto do Humano»:

    A ideia de que tudo o que não é humano tem, tal como o humano, necessidade
    de redenção, é vital para a nossa continuação aqui, ou noutro lugar.
    (M. G. L., Onde Vais, Drama-Poesia?)

    As propostas de leitura do Vivo com recurso a teorias sistémicas de teor holístico revelaram-se, sem surpresa, muito próximas do pensamento sobre o Vivo e o Humano que encontramos nos textos de Llansol. Os três tópicos evocados por Teresa Cadete – os elos da cadeia do Ser, a ciclicidade regeneradora da natureza (contrária aos ciclos industriais e à fatídica ideologia do «crescimento» que nos dominam) e o princípio da cooperação (e não destruição) para manter o equilíbrio da vida no globo – encontraram naturalmente as suas correspondências em M. G. Llansol:

    A grande e profunda tristeza dos humanos (e também das outras espécies) vem-lhes de 
    terem perdido o anel. Esta realidade tem especial incidência em nós, porque só nós
    podemos decidir deixar o outro ao abandono. Coisa que um bicho, uma planta, o cume
    de uma montanha, o curso de um rio nunca fazem...
    Não reprimas o desejo profundo de beleza, mas nomeia as relações que nascem entre os 
    seres e as coisas, entre o vivo e o inerte. A beleza está ligada ao inesperado, ao novo; odeia 
    o monótono, o fixo pelo fixo, e seguro por medo; impele o movimento e, sobretudo, inscreve 
    no vivo um princípio de bondade... («O espaço edénico»)


    Convocámos, na discussão animada que se seguiu, muitos nomes, livros, ideias (Rousseau e Adam Smith, Spinoza, Goethe e Schiller, Luc Ferry e Michel Serres, Emanuele Coccia e José Tolentino Mendonça...), para concluirmos que não há no «projecto do Humano» de Llansol propriamente uma utopia– pelo menos no sentido clássico do termo –, mas antes a afirmação de um «princípio esperança» (como o de Ernst Bloch e da sua «utopia concreta») e a construção livre e des-hierarquizada, evolutiva e convergente, de uma ucronia que convoca para o seu texto toda a pluralidade do Ser, segundo um duplo princípio «sensualético» de bondade e de beleza:

    A folha erótica
    A folha erótica não é de um caderno, de um livro_______ é de uma árvore. Tem um grito 
    cantante, de animal, depositado nas nervuras. Não sei a que ramo vegetal de vida pertence. 
    É como eu...
    Se o erótico for sempre a manifestação de um instinto genésico, isto é, corresponder 
    sempre a um instinto criativo feliz________ se o orgasmo for a última pedrada na folha 
    resplandecente
    que não se magoa,
    mas voa,
    se, voando, deixar a mesma folha que era no ramo_______
    se o luar libidinal for o último azul do verde da folha erótica,
    então ficarão arrumadas as palavras
    que pronunciaram como a felicidade tinha sentido e era o único espaço de procriação...
    (Caderno 1.51, 16 de Julho de 1998)



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  • 05/31/19--10:35: Article 0
  • LLANSOL EM PARIS

    No próximo dia 6 de Junho será apresentada na Fundação Gulbenkian em Paris a antologia francesa de textos de Maria Gabriela Llansol que organizámos para as edições Pagine d'arte, À l'ombre du clair de lune.



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  • 06/05/19--03:11: Article 0
  • LLANSOL NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

    Tivemos ontem, em colaboração com o grupo de leitura da Biblioteca / Espaço Europa, de Campo de Ourique, uma sessão na Feira do Livro de Lisboa, com leitura de textos de Maria Gabriela Llansol pelos actores Mónica Garcez e Pedro Oom, e apresentação de João Barrento e Maria Etelvina Santos. Percorremos alguns dos principais caminhos desta Obra, olhando-a do ponto de vista de quem a escreveu e daqueles a quem ela se oferece à leitura.
    Mónica Garcez e Pedro Oom lêem Llansol


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  • 06/11/19--05:53: Article 0
  • CAMINHOS DO FULGOR:
    DE LLANSOL À «COMUNA DA LUZ»

    No próximo dia 22 de Junho, pelas 16 horas, vamos mostrar um filme singular e conversar com a sua realizadora, Sílvia das Fadas, que já foi uma preciosa colaboradora do Espaço Llansol, e agora regressa para nos mostrar o seu filme Luz-Clarão-Fulgor(em formato de 16 mm, como todos os filmes da Sílvia), que assimila muito da escrita de Maria Gabriela Llansol sobre a ideia de comunidade, o fulgor, a deshierarquização e o Vivo.
    O filme recupera a história do anarquista português António Gonçalves Correia e das suas «comunas» – primeiro, a «Comuna da Luz», em Vale de Santiago/Odemira (1917-18), e depois a «Comuna Clarão», em Albarraque (1926) –, e insere essa história na longa luta de resistência contra os senhores da terra num Alentejo desde sempre marcado por profundas desigualdades.
    A Sílvia resume assim a ideia do seu filme, de que nos falará mais pormenorizadamente no dia 22:
    «Qual a relação e/ou a diferença entre emancipação e despossessão?» Quais as condições necessárias à sobrevivência e reencantamento da terra? Como poderemos reunirmo-nos num lugar de hospitalidade e ensaiar a nossa imaginação crítica em direcção a um tempo para além da possessão, uma sociedade não racial e não capitalista? Que imagens darão forma a este anseio por uma comunidade de rebeldes, «o segredo a que se chamou solidariedade», o sonho fugitivo? Onde jaz a semente da insurgência e qual poderá ser a oferenda do cinema?



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  • 06/23/19--03:54: Article 0
  • O FILME-EM-METAMORFOSE DE ONTEM

    Tivemos ontem, com um público muito participativo e viva troca de ideias, uma tarde especial, com a projecção da versão actual do filme de Sílvia das Fadas Luz-Clarão-Fulgor, de que dá conta o texto lido pela cineasta (que aqui se reproduz, e que incluímos no folder feito para esta sessão). Com o som de dois projectores de 16 mm sempre em fundo, lembrando antigas salas de cinema, na luz das imagens em paralelo, a preto-e-branco e a cores, a sala cheia pôde seguir os caminhos da câmara da autora por recantos desconhecidos de um Alentejo profundamente transformado. Este primeiro núcleo de imagens recolhidas e montadas em diálogo irá ser continuado nos próximos meses, para dar origem a novas versões de um filme que se apresenta como obra não acabada.


    Luz, Clarão, Fulgor
    Augúrios Para Um Enquadramento Não Hierárquico e Venturoso 

    Deparei com uma fotografia a preto e branco, impressa num jornal: as ruínas de uma comuna. Mostra uma árvore, o que resta de uma ruína, uma sombra projectada das suas paredes, até ao solo, um poço, um campo aberto e florido. Poderia passar despercebida, mas a inscrição da fotografia — «Comuna da Luz», bastou para acender uma centelha e revelar um rastilho que não resisti a seguir.
    A «Comuna da Luz» foi fundada no Sul de Portugal entre 1917 e 1918 por um anarquista Tolstoiano chamado António Gonçalves Correia. No aparentemente sereno Vale de Santiago, em Odemira, Gonçalves Correia pôs em prática uma experiência utópica, por fim esmagada pela repressão policial que acusou estes companheiros de organizarem uma greve de trabalhadores rurais e de participarem na conspiração que levou à morte de Sidónio Pais. Gonçalves Correia fundou posteriormente uma segunda comuna, a «Comuna Clarão», em 1926 em Albarraque, Sintra. Também não foi duradoura, mas Gonçalves Correia persistiu em escrever panfletos e cartas para jornais anarquistas, ao mesmo tempo que se obstinava a comprar pássaros em feiras, apenas para os libertar das suas gaiolas. Este perigoso agitador comunista, de acordo com a polícia política, proclamou a revolução como sua namorada, e jurou não cortar as suas longas barbas até que o regime autoritário do Estado Novo fosse destituído. Morreu antes disso, mas o seu nome é ainda uma contra-senha nas terras do Baixo-Alentejo.

    Apesar da escassez de documentos, o que me interessa nestas tentativas colectivas de viver diferentemente é a irrupção do utópico, com um excedente de sonhos indestrutíveis — uma condição a que chamo fulgor. Partindo dos vestígios destas duas comunas comecei a engendrar uma terceira comuna — «Fulgor» — nas ruínas da primeira.

    O que é então o fulgor? Vem de um texto cuja fonte se encontra n'O Livro das Comunidades, uma obra escrita nas margens da literatura — em solitude, em fortitude, em cadernos, envelopes, guardanapos, e desenhos, fragmentos de fragmentos — por uma mulher singular para quem escrever era o duplo de viver: Maria Gabriela Llansol, a escrevente a quem volto continuamente porque o seu texto nunca deixou de me perturbar, oferecendo-me resistência e sustento. De acordo com Llansol, o fulgor é uma procura de luz, uma ruptura no tempo e historicidade que conjura a possibilidade de encontros inesperados a partir das margens. A luta quotidiana pelo fulgor é o resultado de uma batalha contínua: um esforço diário para atingir claridade, intensidade — desejo de uma cintilação possível e necessária. O fulgor, sendo um momento de revelação súbita, possibilita um entendimento mais profundo do tempo. Já não estamos no tempo e espaço da narrativa e da sucessão, mas num campo fulgurante onde Ana de Peñalosa, Hadewijch, a beguina errante, Thomas Müntzer decapitado ou Hölder (de Hölderlin), são removidos do firmamento da história para se tornarem parte de uma outra ordem de significado — transmutados em Figuras que, num encontro inesperado do diverso, formam uma comunidade de rebeldes. Através de uma técnica de fragmentação e de sobreimpressão, o fulgor introduz brechas que nos colocam na presença de encontros que ainda hão-de ter lugar, assim mudando a ordem das coisas. Deste modo, o combate entre príncipes e camponeses ainda fermenta e tudo continua em risco, seja em Frankenhausen ou no litoral do mundo (Llansol), em França ou no Egipto (Straub-Huillet), demasiado cedo ou demasiado tarde.
    Palavras e imagens devêm intensidades vivas. O fulgor é móvel como o olhar ou o voo de uma bruxa, e como tal também eu me desloco através de diferentes escalas e temporalidades: da Comuna da Luz à Comuna Fulgor, de António Gonçalves Correia a Maria Gabriela Llansol, em direcção a uma comunidade de errantes-mutantes. «A energia cénica do fulgor tem uma qualidade muito espacial­­­­­­ ­____________________________ põe os seres em confronto no auge da sua beleza. Interior, exterior e estética.»[i]
    A paisagem que resiste é para mim uma cena fulgor. Transporta em si o potencial de metamorfose e eu reconheço que a luta quotidiana pelo fulgor tem de ser uma luta inventiva, uma luta que, tal como Avery F. Gordon e Inês Schaber a colocam está «implicada no cultivo de formas de vida e de trabalho independentemente/autonomamente de, ou fora de, ou em oposição a, ou em alternativa a, ou nos mesmos moldes, mas não inteiramente dentro dos termos dominantes da ordem social.»[ii]É o reconhecimento desta consciência utópica, e desta insubordinação, que me faz desejar uma outra comunidade no agora, mesmo que esta só possa ser provisória, fugitiva, subterrânea, com raízes fundas mas móveis. E, mal comecei a ensaiar uma comuna provisória nas ruínas de uma comuna histórica, cedo me apercebi da necessidade de metamorfosear o ‘eu’ em ‘nós’, e de em comum mapearmos lutas contemporâneas e ancestrais pela terra e pelo bem colectivo na caleidoscópica espacialidade do Alentejo, região com nome de rio, para além de um rio.
    Talvez não haja nada de mais exterior do que este território de desmesura e latifúndios, cuja distribuição de terras remonta aos tempos da Reconquista do país aos Muçulmanos da Península Ibérica. Os primeiros proprietários eram nobres, de ordens religiosas ou militares, e nessas terras as comunidades encontravam-se dispersas e despossuídas. Se pressentimos algum espectro a rondar este filme, e outros que por lá se fizeram, é provável que seja o da Reforma Agrária, semeada pela Revolução dos Cravos e pelo breve (quão breve?) período insurreccionário que se lhe seguiu. «A batalha vinha, estava vindo»[iii], pressagia o texto Llansoliano. Os patrões fugiram, e as pessoas, cansadas de décadas de opressão e de desigualdades sociais, ocuparam as grandes propriedades e distribuíram as terras por aqueles que, sem nunca as terem possuído, as sabiam trabalhar. As mulheres estiveram na frente das ocupações, «praticando a despossessão em colaboração»[iv]. O cinema também lá esteve, a lutar através de imagens desta região, em filmes militantes como A Lei da Terra, filme colectivo realizado pelo Grupo Zero, que acompanha a ocupação da terra, a auto-gestão dos camponeses e a criação de unidades de produção; ou Terra de pão, terra de luta, um filme de José Nascimento, que desconstrói o sistema opressivo dos latifúndios. Mais recentemente, Farpões Baldios, de Marta Mateus, testemunhando uma forma de vida, histórias contadas, histórias escutadas, matéria de transmissão e tenacidade. A Reforma Agrária foi uma promessa interrompida, traída, boicotada. No entanto, olhando para trás, não conseguimos deixar de pensar que as coisas poderiam ter tomado outro rumo. Altos desejos pairam ainda na paisagem, com resiliência inscritos
    nas suas pedras
    nas suas árvores
    nas suas gentes
    no vivo.

    Principiámos a caminhar e a procurar augúrios no Verão passado, concentrando-nos em fragmentos de tempo: «a densidade da Restante Vida, da Outra Forma de Corpo, que, aqui vos deixo qual é: a Paisagem[v] Ali, com uma violência inarredável deparámos com: cercas e vedações, propriedade privada, extracções mineiras, arbustos de oliveiras e amendoeiras em fileiras a saturar o horizonte (cemitérios, aos meus olhos), trabalhadores migrantes e clandestinos, rios envenenados, a terra erodida. Ali também, uma luta afim por uma vida vivível está a ser travada: corpos no processo de resistirem e de se reinventarem a si mesmos, afirmando as margens, reactivando os vínculos à terra, tornando-se «indisponíveis para a servidão», opondo-se a projectos extractivistas, contruindo zonas autónomas, disseminando sementes autóctones e informação crítica, traduzindo poesia, praticando o dom da hospitalidade. Nós tecemos, seguimos e emaranhamo-nos num fio de engendrar mundos: «Observando geografias de acção directa, apoio mútuo, e políticas prefigurativas.»[vi]Nós estamos a preparar-nos.  «Queremos ver aquilo que fazemos à medida que o fazemos. Não é que questões de habilidade ou de ofícios tenham sido suspensas. Apenas foram socializadas, desindividualizadas, partilhadas» (clama Fred Moten). Coral, e em processo, criado e incriado, o filme é uma ferramenta para a convivialidade (Illich, Andersen), dobra-se e desdobra-se em espanto, guiado pelo fulgor, ou pela potência para florescer em enquadramentos não-hierárquicos.
    Observando teimosamente as ruínas de uma comuna, procuramos  augúrios. Por exemplo: uma árvore e uma ruína. Um riacho. Uma serpente. Iremos ver.
    Através de práticas quotidianas de recusa e reencantamento, em dissonância, perguntamos:
    «Qual a relação e/ou a diferença entre emancipação e despossessão?»[vii]Quais as condições necessárias à sobrevivência e reencantamento da terra? Como poderemos reunirmo-nos num lugar de hospitalidade e ensaiar a nossa imaginação crítica em direcção a um tempo para além da possessão, uma sociedade não racial e não capitalista? Que imagens darão forma a este anseio por uma comunidade de rebeldes, «o segredo a que se chamou solidariedade»[viii], o sonho fugitivo? Onde jaz a semente da insurgência e qual poderá ser a oferenda do cinema?
    Que as imagens em bruto que se seguem possam ser «cartas vívidas e imperceptíveis».
    Se ousarmos.
    Sílvia das Fadas
    Primavera de 2019

    [i] Maria Gabriela Llansol, Amigo e Amiga. Curso de Silêncio de 2004. (Lisboa: Assírio & Alvim, 2006), p. 198.
    [ii]Avery F. Gordon and Ines Schaber, “The Workhouse.” Acessível em: http://www.averygordon.net/current-projects/the-workhouse/ [acesso em: 31 de Maio2017]
    [iii] Maria Gabriela Llansol, O Livro das Comunidades. (Lisboa: Assírio & Alvim, 2017), p. 48.
    [iv] Fred Moten,“come on, get it!,” The New Inquire (2018) Acessível em: https://thenewinquiry.com/come_on_get_it/[acesso em: 12 de Abril2019]
    [v] Maria Gabriela Llansol, O Livro das Comunidades. (Lisboa: Assírio & Alvim, 2017), p. 11.
    [vi] Simon Springer, The Anarchist Roots of Geography: Toward Spatial Emancipation. (Minneapolis/London: University of Minnesota Press, 2016.), p. 94.
    [vii] Fred Moten, Id., Ibid.
    [viii] Stefano Harney and Fred Moten, The Undercommons: Fugitive Planning & Black Study (New York: Minor Compositions, 2013), p. 42.



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  • 07/06/19--14:49: Article 0
  • DANÇAR COM AS PALAVRAS DE LLANSOL

    No próximo sábado, 13 de Julho, pelas 17 horas, recebemos um grupo muito especial de doze mulheres-beguinas vindas de Lugo, na Galiza. Dez delas apresentarão uma leitura dançada de textos de M. G. Llansol, no nosso pátio da Casa de Julho e Agosto, à semelhança do que já fizeram nos claustros da catedral da cidade galega.
    Nieves Neira, jornalista e escritora de Lugo, principal animadora deste grupo de mulheres e grande legente de Llansol, teve esta original ideia, que apresenta assim no livro feito para esta ocasião (e que incluimos, completo, no desdobrável que distribuiremos):
     «Ler como dançamos? Da leitura conhecemos um corpo sentado, um corpo que se transformou com a aparição do alfabeto, que trabalhosamente inibiu outros sentidos em favor da visão. Anne Carson insinua em Eros-Poética do desejo que é da oposição entre um interior e um exterior, criada pela palavra escrita, que nasce Eros como obsessão na Grécia arcaica, e que a poética do desejo de que ainda hoje somos herdeiros se petrificou no espaço negativo da leitura, como também a ideia de que os livros diferem da vida. A Obra de Llansol convida-nos, no entanto, a reduzir e desfazer essas dicotomias [...]
    Ler como dançamos: é o resultado desse jogo. A sua única regra foi a de deixar-se levar pelo afecto e pelo fulgor: ler em voz alta – do sussurro ao grito – só aquelas frases que despertassem esse afecto, que nos chamassem. E sublinhá-las sabendo que com esse gesto estávamos escolhendo os fragmentos que figurariam no livro que fizemos, aproximando assim com o lápis a mão que escreve da mão que lê, a mão que lê da mão que escreve...»
    Esperamos por todos às cinco da tarde para um espectáculo certamente surpreendente. Antes teremos, na sala grande, a projecção de um video e conversa com as beguinas de Lugo sobre o livrinho que nasceu desta experiência, e estará disponível.


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  • 07/14/19--07:33: Article 0
  •                   LER COMO QUEM DANÇA
                                        DANÇAR COMO QUEM LÊ

    O grupo de doze mulheres vindas de Lugo/Galiza para nos comentar e mostrar a sua experiência de ler-dançar Llansol proporcionou-nos ontem uma tarde inesquecível. Numa primeira parte, Nieves Neira e o seu grupo falaram-nos deste projecto singular, mostraram um video que documenta a sua actuação nos claustros da catedral de Lugo em 2018, e apresentaram o livro Fulgor, onde reunem os fragmentos de Llansol que vamos ouvindo na leitura dançada que imaginaram.

    O livrinho é uma preciosidade, e saiu numa editora (animada por duas das «beguinas de Lugo», María Grandío e Nieves Neira), com um nome – ÁMBOA – e uma história carregados de ecos, que podemos ler no marcador que acompanha o livro. E o azul forte que o atravessa é também o da gravura, em azul da Prússia, que acompanhou o lançamento do livro, uma obra de María Corral Fernández.

    O desdobrável que distribuímos na sessão de ontem dá conta, nas palavras de Nieves Neira, que abrem o livrinho, deste modo singular de apropriação afectiva e artística das palavras de Maria Gabriela Llansol, num gesto de amor sive legens (que é o título, llansoliano, da introdução de Nieves Neira).

    Depois, foi o belo espectáculo no pátio da Casa de Julho e Agosto, por entre objectos, panos, plantas deixados pela Maria Gabriela. Uma movimentação dinâmica que encheu o pátio de fragmentos, frases soltas, perguntas, repetições, de textos vindos dos mais diversos livros, que o corpo e a sensibilidade de cada uma das leitoras dançantes deles retirava. A sequência de fotos e a breve montagem em video dirão ainda melhor o que foi este belo momento, que encerrou as nossas actividades antes da pausa de Verão.
     
     


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  • 08/04/19--04:36: Article 0
  • [O VERÃO ENTRE PARÊNTESES – COM LEITURAS]

    Está aí o Verão, o ritmo abranda, a apetência de leitura cresce. Também a Casa de Julho e Agosto entrará em tempo de penumbra, com suas memórias, suas plantas (que teremos de alimentar), com os seus muitos rios de escrita, visíveis e escondidos. Voltamos em Setembro, com novos recantos, novas perspectivas, corpo e alma lavados. Boas Férias, com Llansol e livros!




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  • 09/02/19--11:01: Article 2
  • TRÊS LIVROS, TRÊS OLHARES SOBRE LLANSOL

    Retomamos as actividades do Espaço Llansol no sábado, 14 de Setembro, pelas 17 horas, com a apresentação simultânea de três novos livros, que representam três olhares sobre o universo Llansol, três leituras, diversas e igualmente estimulantes, de toda a sua Obra: de João Barrento (dez anos de escrita sobre Llansol), Eduardo Prado Coelho (toda a sua escrita sobre esta Obra, entre 1985 e 2007, correspondência com LLansol, excertos de diários) e João Maria Mendes (um livro de síntese que abre com a evocação da sua relação com «Gabi» e Augusto nos anos setenta, do exílio de Lovaina – que documentaremos num video –, e continua com uma interpretação global desta escrita).
    Contamos, para as apresentações em diálogo, com a presença de João Maria Mendes, Maria Etelvina Santos e João Barrento.


    Comparado com o meu anterior conjunto de «escritos llansolianos», publicado nesta colecção (Na Dobra do Mundo, 2008), este será porventura um livro mais vivo do que esse primeiro, e sobretudo mais revelador do amplo espectro de relações que se podem tecer a partir desta Obra– com temáticas tantas vezes inesperadas, com outros autores (poetas, ficcionistas, filósofos, místicos...), com domínios extraliterários (a música, as artes visuais, a iconografia, o cinema), com lugares e tempos de vida e de escrita (a Lisboa da adolescência e juventude, a Bélgica do exílio, os cafés, as deambulações por Colares e Sintra).
    J. B.


    Os textos de Eduardo Prado Coelho sobre Llansol, ou os simples registos fugazes sobre ela nos Diários, pequenas intuições na correspondência, lançam luz, luzes de vária natureza, sobre a pretensa «sombra» desses textos, por vezes com focos de uma grande intensidade. Por exemplo, quando comenta: «Há textos assim: dizem de um modo tão exacto e portentoso aquilo que nos parece evidente depois de os termos lido que sentimos por um instante que não deveríamos fazer mais nada senão o que eles dizem».
    E conclui, noutro lugar: «Daí que, às portas do paraíso, Maria Gabriela Llansol diga a Vergílio Ferreira o que qualquer de nós poderá dizer ao leitor futuro de Llansol (e não se pode ler Maria Gabriela Llansol sem assumir a leitura como uma leitura sempre futura, uma leitura por vir): não há segredo, o único segredo é entrar».


     De que me ocupo neste escrito? Num primeiro momento revisito a genealogia da Obra da autora e descrevo-a como sensacionista/intuicionista, sempre confrontada com a memória e a cultura acumuladas na «Casa da Sabedoria». Num segundo momento recordo o que a levou a afastar-se da narratividade dependente da verosimilhança e a adoptar uma textualidade transgressiva... Um terceiro momento é uma reflexão sobre algumas ideias-fortes do glossário llansoliano... Num quarto momento defendo que a Obra llansoliana explora quatro registos de fantástico que herda de um maravilhoso verdadeiro neo-renascentista, e que são, nela, idiossincráticos geradores de texto. Finalmente, num quinto momento, aproximo a composição oficinal dos seus textos e o trabalho do sonho, tal como Freud o descreveu em a Interpretação dos Sonhos...
    J. M. M.


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  • 09/09/19--11:39: Article 1
  • DA SEBE AO SER EM NOVA EDIÇÃO


    Acaba de sair, em edição de Assírio & Alvim, a nova edição de Da Sebe ao Ser, há muito esgotado. Esta nova edição acrescenta à de 1988 um conjunto significativo de inéditos extraídos dos cadernos de Maria Gabriela Llansol, e provenientes da fase de escrita deste livro que veicula uma leitura escrita da história de Portugal e do seu fatídico «caminho da água».
    Na próximas Jornadas Llansolianas, em Outubro, esta nova edição será apresentada e comentada por António Guerreiro.

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  • 09/15/19--09:30: Article 0
  • O FULGOR, O SEGREDO, A MÚSICA


    No regresso às actividdes do Espaço Llansol, no último sábado, reunimos na Casa de Julho e Agosto três olhares diversamente retrospectivos sobre a Obra e a figura de Maria Gabriela Llansol.
    Com João Maria Mendes (e um pequeno video que montámos com fotografias do arquivo) regressámos a Lovaina e aos anos 60-70, a um ambiente cultural e a uma época decisivos para a grande viragem que se operou a partir daí na Obra da «Gabi-escritora», como ela é designada neste livro do compagnon de route dela e de Augusto Joaquim nas aventuras político-ideológicas, culturais e pedagógicas desses anos do exílio belga. Dessa viragem e da originalidade de toda uma Obra fala também a parte mais interpretativa do livro, fornecendo pontos de vista muito inovadores e produtivos para a leitura futura dos livros desta autora.
    In illo tempore: Lovaina, anos 60-70

    O segundo livro apresentado reune tudo o que Eduardo Prado Coelho escreveu sobre Llansol (em ensaios, crónicas, críticas, diários e correspondência – incluindo as cartas de Llansol) entre os anos de 1978 e 2006. Tratou-se, como foi destacado na sessão de sábado, de uma relação a vários títulos ímpar entre escritor e crítico, não apenas intelectual, mas ao longo dos anos claramente afectiva e empática – entre duas naturezas tão diferentes, mas que se encontravam no deslumbramento comum com as coisas do mundo, no júbilo de viver que, no fundo, guiou estas duas vidas de escrita. Os girassóis, flores preferidas do Eduardo, em cima da mesa falavam disso...

     Finalmente, Maria Etelvina Santos comentou o livro de João Barrento, que, também ele, condensa uma viagem de dez anos pelos meandros, não já apenas dos livros, mas de todo o imenso espólio de Llansol, com derivas para as mais diversas áreas deste território sem fim: ensaios de fundo sobre temas e figuras, incursões por zonas pouco conhecidas (os desenhos, a poesia, os cafés, as andanças por Colares e Sintra), cruzamentos im-prováveis e surpreendentes (com escritores, pensadores, cineastas, artistas...). Como diz a «Carta de abertura» da Maria Gabriela reproduzida à entrada de mais este volume de «escritos llansolianos», o encontro do leitor (legente?) com a autora (escrevente!) dá-se provavelmente porque ambos buscam, para lá da «impostura da língua», um qualquer «lugar primordial» deste universo único.



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  • 09/20/19--04:53: Article 0
  • XI JORNADAS LLANSOLIANAS
    «O LITORAL DO MUNDO»

    Damos já a conhecer o programa das Décimas-primeiras Jornadas Llansolianas, que terão lugar em 12 e 13 de Outubro no Espaço Llansol. Este ano dedicamos as Jornadas à matéria portuguesa na Obra de Maria Gabriela Llansol, o que tanto pode significar a sua desconstrução de vários momentos e filões na História portuguesa (o «caminho da água» dos Descobrimentos, os mitos do Encoberto ou dos Lusíadas, os tempos de chumbo do salazarismo), como os caminhos singulares da revisão ou da leitura de algumas figuras dessa história, política, literária, cultural (Camões e D. Sebastião, Pessoa, Vergílio Ferreira ou Jorge de Sena). Estas Jornadas contam, como é habitual, com a participação de um núcleo significativo de «llansolianos/as» nacionais e estrangeiros, como se pode ver pelo programa que se segue.
    E como também vem sendo habitual, teremos dois momentos de apresentação de livros novos: a nova edição de Da Sebe ao Ser, com inéditos (Assírio & Alvim) e o volume que documenta as Jornadas de 2018, dedicadas a leituras de Llansol por outros escritores («Eu leio assim este Texto»: Escritores lêem Llansol, da Mariposa Azual/Espaço Llansol, o número 17 da colecção «Rio da Escrita»).


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  • 10/14/19--11:01: Article 0
  • «A COSTURA CULTURAL PORTUGUESA»
    OU «O LITORAL DO MUNDO»


    As XI Jornadas Llansolianas que neste fim-de-semana dedicámos à análise da «costura cultural portuguesa», deste «Litoral do mundo», tal como nos são dados a ver e a ler pelo crivo do olhar e pela mão de escrita de Maria Gabriela Llansol, trouxeram-nos fragmentos da narrativa de uma História (e das mais diversas estórias dentro dela) – história de um país, de uma cultura, de alguma da sua literatura – quase sempre lidas por Llansol «a contrapêlo». Ou também, como logo a abrir salientou António Guerreiro, em chave anti-épica e anti-heróica, em grandes visões alegóricas textualizadas, ou cosmogonias laicas, projecções desejantes e alternativas de outros mundos (em Llansol, os da «comunidade» e da «Restante Vida»). Neste território de uma História que sempre pretendeu «dar passos para a frente», a escrita de Maria Gabriela sobre ela prefere – e é esse o seu selo inconfundível – «dar passos para o lado». É o que acontece, entre outros, com o livro agora reeditado com inéditos, Da Sebe ao Ser, que constituiu uma referência central na intervenção de António Guerreiro sobre «Os potenciais da História».
     António Guerreiro
    O espectro das intervenções cobriu depois o campo vasto desta matéria portuguesa na Obra de Llansol, com incursões pelos universos de figuras maiores dessa Obra, como D. Sebastião/Dom Arbusto (da qual se falou, apesar da ausência da nossa amiga Ilse Pollack, que por razões de força maior não pôde deslocar-se da Áustria até às margens de Tejo-rio); de Camões/Comuns/o Pobre, pela Profª Isabel de Lima e Almeida, que, com o seu profundo conhecimento do Camões histórico, seguiu atentamente as deambulações e metamorfoses de Luís M. e da sua Obra pelos livros de Llansol; ou de Pessoa-Aossê por Maria Etelvina Santos, que, no seu já longo périplo pelos trilhos de Aossê na escrita de M. G. Llansol, partiu da Gare do Oriente para explorar outros Orientes desse Oriente, não os caminhos pátrios da água, mas os do sonho criador que faz conhecer, os do dom poético como alquimia ou os de formas várias de paganismo, com um regresso (de ecos hölderlinianos) de deuses por vir, em Pessoa e Llansol, a partir da leitura paralela da nossa autora e do Pessoa da Mensagem e dos heterónimos (ou nem tanto!) António Mora, Bernardo Soares ou Alberto Caeiro.
     Isabel Almeida (com João Barrento)

     Maria Etelvina Santos (com Pedro Proença e J. Barrento)

    Na mesma mesa, o artista-escritor e escritor-artista Pedro Proença (que expôs na sala dois desenhos de grande formato que, de forma explícita e com motivos subtilmente disseminados, desfiam mais uma narrativa sobre o tema destas Jornadas) ofereceu-nos um texto escrito numa voz con-sonante com a de Llansol, uma tecitura de imagens e motivos que evocavam «Paraísos resgatados», fábulas de corpos em relação sensualética de «amor ímpar», num gesto de leitura que é dádiva, entrega e eco irónico que faz soar, de perto e de longe, o que há de mais fundo no objecto de leitura – algo que só os grandes leitores, como Pedro Proença, sabem fazer.
     Pedro Proença

     Os desenhos de Pedro Proença

    Depois entrámos, com as Profas. Paula Morão e Maria de Lourdes Soares (vinda do Rio de Janeiro), nas linhas cruzadas que ligaram Maria Gabriela Llansol a Vergílio Ferreira e a Jorge de Sena. No primeiro caso, por uma relação mais próxima, de criador com criador, entre escritores diferentes e afins, aproximando-se e divergindo em «encontros de confrontação» em que o espírito crítico e os afectos se confundiam. No caso de Sena, Maria de Lourdes Soares levou-nos por praças e jardins, autos-de-fé e terrenos de exílio, pelos cenários múltiplos em que Llansol põe em cena um Sena trans-figurado em Jorge Anés, o que lhe confere outra liberdade na relação com esse ícone maior do estrangeirado nunca reconciliado com este «reino da estupidez», permitindo-lhe outros voos para além da relação pessoal que neste caso nunca existiu.
     Maria de Lourdes Soares e Paula Morão (com Ma. Etelvina Santos)

    E houve ainda lugar para a revelação de um núcleo desconhecido da escrita de Maria Gabriela Llansol, os seus primeiros contos, ainda inéditos (alguns deles agora disponíveis no caderno «O timbre da estrela» - Contos juvenis de Llansol), que João Barrento comentou sob o pano de fundo do Portugal salazarento dos anos quarenta e cinquenta, quando Llansol transforma já em escrita uma «vida contingente sem amplitude em que eu pudesse mover-me», com vista, já então, «a libertar na escrita seres perenes».
     João Barrento (com Ma. Etelvina Santos e António Guerreiro)

    *
    ***

      Os temas e as figuras das XI Jornadas Llansolianas

    Da Sebe ao Ser, ou «O movimento do mar»

    Os heróis apeados, e aparentemente pouco felizes, da História de Portugal
    (Camões, Afonso de Albuquerque, Cabral, o Gama, D. Sebastião),
    descobertos por Cristiana Vasconcelos Rodrigues no Jardim de
    S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, Outubro de 2019

    *
    ***
    Como sempre, tivemos o comentário do livro das Jornadas anteriores – «Eu leio assim este Texto» - Escritores lêem Llansol–, numa original e atenta leitura de uma outra escritora, Paola d'Agostino (que recentemente traduziu para italiano a antologia de textos de Llansol All' ombra del chiaro di luna).
     
     
    Paola d'Agostino (com Helena Vieira e J. Barrento)

    E por fim, como também já vem acontecendo desde as nossas primeiras Jornadas em 2009, o momento final de leitura. Este ano com António Poppe, também poeta e artista, diseur singular que nos trouxe poemas de Camões e Pessoa ditos de cor (ou seja com a voz do coração), fragmentos de M. G. Llansol que espelham a sua visão deste país de portugal que escreve com minúscula «para não ter nunca de estar a braços com uma ideia preconcebida» dele; e por fim um dos contos juvenis: Rapariga Inquieta, a história da rapariga que «crescia naquele meio» (o do Portugal cinzento da «tristeza contentinha»), «mas sabia que não lhe pertencia».
     António Poppe diz Camões

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    ***


    Estas XI Jornadas Llansolianas trouxeram ainda consigo, como sempre acontece, algumas novas publicações:
    - Da Sebe ao Ser (Assírio & Alvim), há muito esgotado, e agora reeditado com um substancial anexo de inéditos relacionados com a escrita desse livro;
    - «Eu leio assim este Texto»: Escritores lêem Llansol (Mariposa Azual/Epaço Llansol), o livro que documenta as X Jornadas, de 2018;
    - Os cadernos com inéditos que ilustram o tema destas Jornadas: O Litoral do Mundo: O «caminho da água» e a matéria portuguesa na Obra de Llansol; e «O timbre da estrela»: Contos juvenis de Maria Gabriela Llansol.

    E o público acorreu, e a sala animou-se...


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  • 10/23/19--06:44: Article 0
  • «O COMEÇO DE UM LIVRO...» GANHA VOZ E IMAGEM

    Tivémos ontem uma manhã muito especial no Espaço Llansol. Um grupo de trinta alunas/os da Escola Superior de Teatro e Cinema veio conhecer melhor Maria Gabriela Llansol e o seu mundo, com duas professoras dessa Escola: a actriz Maria Duarte (grande incentivadora do «Projecto Teatral») e a escritora Patrícia Portela, que já esteve connosco antes, ambas leitoras de longa data da Obra de Llansol.

    O pretexto e a motivação maiores da visita foram os do trabalho dos estudantes neste semestre, em torno de um dos livros desta nossa autora – O Começo de um Livro É Precioso–, a partir do qual trabalharão questões de dramatização de textos não dramáticos, de dicção e imagem. Por isso se falou muito dos modos de trazer à voz e dar a ver o texto de Maria Gabriela Llansol. 

    Projecto singular, como singular é o percurso e a Obra destas duas professoras-criadoras. Comentámos o livro, a sua construção particular (um texto ou «estância» para cada dia do ano), a natureza única da forma dos fragmentos (poemas?); falámos do lugar do corpo e das afecções (com frequente recurso a Spinoza), da importância e dos sentidos da «imagem nua» nestes textos, de figuras recorrentes que conferem um discreto fio narrativo ao livro, do que significam os começos (que servem sempre só para continuar por caminhos imprevisíveis) e dos fins (que não há, nesta escrita da metamorfose), enfim, percebemos melhor como cada frase é aqui «uma base de meditação», cada estância traz uma situação, um pensamento, uma cena fulgor novos, e todo o livro é uma espécie de breviário aberto, sem lições nem moralidade...

    De um dos cadernos de escrita do livro, em 2003

     Anotação no Bloco de notas B06

    ... Tudo gira à volta de «O Começo de um livro é precioso» e dos
    casos perdidos na leitura... (Caderno 1.65, 26 de Janeiro de 2003)

    O interesse – e o espanto – dos estudantes era evidente, a casa e o espólio de Llansol foram claramenre uma revelação, prometendo novas visitas.


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  • 11/06/19--14:20: Article 0
  • «... VIBRAR NA DIRECÇÃO DE UM MUNDO NOVO...»
    Nos 88 anos de Llansol

    No próximo dia 24 de Novembro Maria Gabriela Llansol faria 88 anos. Antecipando o dia do seu aniversário, faremos no sábado 23 de Novembro, às 17 horas, uma sessão especial acompanhados por Llansol, não só em espírito, mas em vibração sonora; ouviremos, a partir da cassette original, uma entrevista feita na rádio em 1997 (com a jornalista Graça Vasconcelos), em que é possível acompanhar a imagem humana, o percurso e as motivações da escrita de Llansol através da sua própria voz. Uma conversa altamente reveladora, entrecortada por canções portuguesas (José Mário Branco, Teresa Salgueiro/Madredeus, Dulce Pontes, Fausto) e francesas (Jacques Brel, Bernard Lavilliers, Leo Ferré), escolhidas pela entrevistadora para acompanhar e iluminar alguns dos temas da conversa.
    E para completar este retrato vivo ouviremos ainda as actrizes Sara Ferrada e Alexandra Pinheiro (da ESAD das Caldas da Rainha) ler textos de Llansol, de carácter muito pessoal, quase íntimo, como convém mais a esta data. E haverá como sempre um caderno que reproduz a entrevista e algumas páginas de inéditos. Poderá ser uma tarde memorável.

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  • 11/11/19--06:31: Article 0
  • LLANSOL AUTORA DO MÊS NOS AÇORES

    A Biblioteca Municipal de Velas, na Ilha de São Jorge, escolheu Maria Gabriela LLansol como autora do mês no seu círculo de «Leituras».  Agradecemos à Biblioteca, e só lamentamos não poder estar presentes!
    Mais informação aqui: https://www.municipiosefreguesias.pt/noticia/57247/maria-gabriela-llansol-e-a-autora-do-mes-de-novembro-na-biblioteca-municipal

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  • 11/24/19--04:25: Article 0
  • MARIA GABRIELA LLANSOL
    24 de Novembro 1931 - 3 de Março 2008

    Assinalámos ontem os 88 anos do nascimento de Maria Gabriela Llansol, com uma sessão em que ouvimos a gravação da entrevista que deu em 1997 a Graça Vasconcelos, jornalista da Radiodifusão Portuguesa: um retrato de corpo (e espírito) inteiro que nos trouxe a presença viva da «escrevente», dando a ouvir as motivações mais fundas da sua escrita, a relação privilegiada com Vergílio Ferreira e todo um percurso de vida. E «um mais-saber subiu à voz» que ouvimos, entrecortada por interlúdios musicais escolhidos pela entrevistadora, em íntima relação com os temas tratados: José Mário Branco a abrir (bela e inexplicável coincidência!), Jacques Brel, Madredeus, Dulce Pontes, Fausto, Leo Ferré... Na sala da lareira, uma exposição fotográfica e documental dava conta desse percurso de vida e de momentos significativos da presença de Maria Gabriela Llansol no espaço literário, em encontros nacionais e internacionais.
    O caderno que fizémos para a ocasião transcreve a entrevista, e ainda alguns apontamentos inéditos como o que se segue, que podemos ler como testemunho da força do novo neste texto inconfundível.
     Em 4 de Jan. '97, quinta
    1. Os dias merecem apontamentos, vistos da minha perspectiva. Se a minha perspectiva for incomunicável – não terá leitor que a alcance, nem ela alcançará nenhum leitor. O novo é incomunicável?
    2. O sinal de que assim não é______ é que ele perturba.
    3. Sem querer, perturba. É a vontade intrínseca da poesia_____ 
    (Agenda nº 36, p. 14) 
    E das habituais leituras, feitas no final da sessão por Sara Ferrada e Alexandra Pinheiro (que estudam teatro com o actor Diogo Dória), retemos o momento final:  

    Regresso a Herbais, às zonas falhadas da memória, e verifico que o que tem importância para ser contado é o menos importante. O muito grande e banal vê-se – e é visto por todos os olhos.
    Decorrido o fluxo da noite – e já amanhece – sinto com a mão a madressilva que plantei junto ao muro exterior da casa, e que mil vezes há-de morrer sem que de facto morra, enquanto estas páginas forem vivas – e alcancem mais do que a minha precária vida. De amarelo fugaz, e cheiro intenso,
    a madressilva, sempre que eu ia e regressava,
    estava coberta de alegria.
    Era a verdadeira e última consistência da velha parede. Poeira dissolvida que se reconstitui e regressa agora.
    O meu corpo conflui de lugares longínquos. É de noite. A luz exterior da entrada, suspensa de uma viga, acabou de acender-se. O luar libidinal impele-me a entrar em casa e ir dormir com quem amo. A natureza não humana apaga-se atrás de mim.
    (Caderno 1.51, p. 62, 4 de Junho de 1998, domingo). 



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  • 11/27/19--04:26: Article 0
  • O LIVRO DA ESCOLA QUE NÃO ERA UMA ESCOLA

    A nossa próxima sessão pública (a última deste ano) trará ao Espaço Llansol um livro há algum tempo esperado – aquele que documenta as ideias orientadoras, o trabalho peagógico e o dia-a-dia das Escolas fundadas por M. G. Llansol e Augusto Joaquim na Bélgica, nos anos setenta.
    Para nos falar desses tempos e desse projecto singular teremos entre nós dois comentadores especiais que, de modos diversos, viveram de perto a experiência da Escola «La Maison»: o pedagogo belga Pascal Paulus, do Movimento da Escola Moderna, há muitos anos radicado em Portugal; e o Prof. João Maria Mendes, amigo da «Gabi» e do Augusto nesses anos de Lovaina.
    O livro que apresentamos oferece uma muito reveladora documentação escrita, fotográfica e artística dp trabalho dos «contra-grupos» que deram corpo a essas escolas alternativas, no contexto particular de uma «comunidade do incomum», como lhes chama Albertina Pena na sua introdução ao livro.

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  • 12/08/19--04:52: Article 0
  • A ESCOLA QUE ERA UMA CASA

    Da sessão de ontem, em que apresentámos a nossa edição mais recente da colecção «Rio da Escrita, que documenta a experiência das Escolas fundadas por Llansol e Augusto Joaquim em Lovaina nos anos setenta, retemos o excepcional comentário de Pascal Paulus (do Movimento da Escola Moderna, e que já se movia neste meio nesses anos em Lovaina) e a intervenção esclarecedora de Albertina Pena sobre os materiais do espólio de Llansol que documentam abundantemente esse projecto, com textos escritos e centenas de slides, fotografias, trabalhos de alunos, e sobre o modo de funcionamento dessa «comunidade incomum», des-hierarquizada e experimental, no sentido mais autêntico e criador do termo. 
     João Barrento com Pascal Paulus e Albertina Pena

    Disso dá conta uma sugestiva anotação, que transcrevemos no livro, do «Caderno das Escolas» do espólio de Llansol, onde, ao longo dos anos de 1976-77, vai registando a sua «Observação participativa» dessa experiência pedagógica que durou uma década:

    30 de Novembro de 1976
    Na rua de Namur éramos uma Escola inteligente, mas a nossa opção era híbrida. Havia causerie [conversas] perfeitamente adaptada a seus fins: confrontação do corpo, ora com uma explosão ora com uma economia de movimentos.
    Abertura do caminho de acesso a vários planos e realidades simbólicos, o que permitia deslocações e reajustamento da vida emotiva das crianças, e consequentemente uma maior mobilidade psíquica.
    Havia longas horas em que crianças e adultos desenhavam a brincar como amigos que jogando descobrem que deram seus passos e estão agora um pouco mais além.
    (Caderno 2.08, pp. 18-19)

    As imagens que se seguem, e que foram integradas no livro, darão uma imagem do quotidiano da escola intencionalmente chamada «La Maison», «uma casa-escola que pretende funcionar como uma contra-escola» (Albertina Pena no prefácio), um lugar de formação integral e de vida plena, muito para além dos modelos de «instrução» da escola convencional e oficial.


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  • 12/15/19--03:25: Article 0
  • O REGRESSO DO  «AMOR ÍMPAR»

    A Obra de Maria Gabriela Llansol é atravessada por uma vibração manifesta ou discretamente erótica, que pode dar por nomes tão diversos como o «luar libidinal» ou o «sexo da paisagem», a «sensualética» ou o próprio «corp' a 'screver». Mas talvez o ponto alto da «alquimia do encontro» nesta Obra esteja na noção de «amor ímpar», que constitui o cerne do livro Contos do Mal Errante. Deste livro e daquela noção se falou no passado dia 13 no Espaço Llansol, contra o pano de fundo, também comentado, das «errâncias do mal» no reino dos Anabaptistas da cidade de Münster entre 1534 e 1536, que, com o espaço mais vibrante da «mansão da neve» e seu jardim, fornece a Llansol o lugar de «acção» dos Contos que o não são (antes «confidências envoltas», como explicou na altura Maria Etelvina Santos).
     O pretexto para voltarmos a esta matéria foi uma vez mais a visita de um grupo de cerca de trinta alunos da Escola Superior de Teatro e Cinema, que, com a professora Maria Duarte, trabalham neste semestre esse livro de Maria Gabriela Llansol (como já antes fizeram com O Começo de Um Livro é Precioso).
     João Barrento e Maria Etelvina Santos enquadraram o livro nestas e noutras perspectivas, e os estudantes, com as professoras Maria Duarte e Patrícia Portela, animaram com as suas questões e discussões uma manhã de «amplitude ilimitada», como diria Llansol.

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  • 12/23/19--10:01: Article 0
  • LLANSOL E EDUARDO PRADO COELHO
    no «Nada será como Dante»

    No passado dia 17 de Dezembro, o programa de Pedro Lamares e Filipa Leal na RTP2, «Nada será como Dante» destacou a recente edição do Espaço Llansol/Mariposa Azual que documenta a relação entre M. G. Llansol e Eduardo Prado Coelho ao longo de três décadas. Os comentários foram feitos por João Barrento.
    Pedro Lamares e Filipa Leal apresentam Llansol e Prado Coelho
    O programa pode ainda ver-se aqui: https://www.rtp.pt/play/p6188/e445417/nada-sera-como-dante

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  • 12/28/19--01:21: Article 0
  • LIGAÇÕES:
    Llansol e(m) Gonçalo M. Tavares

    Este e os últimos anos foram pródigos em edições estrangeiras do pequeno livro de Gonçalo M. Tavares que assimila à sua própria escrita a de Maria Gabriela Llansol: as Breves Notas sobre as Ligações (Llansol, Molder e Zambrano), que teve uma primeira edição portuguesa na Relógio d'Água em 2009. 
    Aí escreve o autor, na sequência da frase de Llansol que lhe serve de título («A arte de fazer perigar os corpos»): «Ser amigo das minhas decisões, eis a dificuldade. Fazer amizade com a sucessão dos meus sins e dos meus nãos. [...] Esta coisa que é sempre igual varia muito.» Ou então, muito llansolianamente: «A arte de multiplicar a unidade mantendo-a una.»

    A lista das edições estrangeiras é longa, como nos informa o próprio autor:
    2009 - Design Editora (Brasil)
    2010 - Editora Regional de Extremadura (Espanha, castelhano)
               Editota Aldus (México)
    2013 - Editora Letranómada (Argentina)
               Paradiso Editores (Ecuador)
    2016 - Ediciones Uniandes (Colômbia)
               Edicions del Periscopi (Barcelona, catalão)
    2018 - Urogallo (Itália)
               Wydawnictwo (Polónia)
               Scoala Ardeleana (Roménia)
               Xordica (Espanha)
    2019 - Quantum Prose (USA)
               Chile
               Colmena Editores (Peru)

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  • 01/08/20--03:50: Article 0
  • NOVO CURSO «MODOS DE LER LLANSOL»


    Tal como aconteceu no ano passado, e indo ao encontro de várias solicitações, o Espaço Llansol volta a oferecer um novo curso – Modos de Ler Llansol– que se iniciará no próximo sábado, dia 11. Este ano com especial incidência no tema «Para que o romance não morra: em busca de uma língua sem impostura». O objectivo é dar a conhecer a Obra de Maria Gabriela Llansol através dos seus livros, temas e figuras, para uma melhor compreensão da sua arquitectura múltipla e aberta a vários diálogos, formas de linguagem e modos de estar no mundo. As sessões – duas vezes por mês, de Janeiro a Junho, das 15 às 17.30 horas – terão essencialmente uma componente prática de leitura e análise de textos, sempre acompanhada de pequenas exposições teóricas para explicitação de conceitos. O Curso será novamente orientado pela Profª Dra. Maria Etelvina Santos.

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  • 01/16/20--04:53: Article 0
  • SINTRA, EM PASSO DE PENSAMENTO

    No próximo sábado, 1 de Fevereiro, pelas 17 horas apresentaremos no Espaço Llansol o livro com inéditos de M. G. Llansol Sintra em Passo de Pensamento, uma edição da Feitoria dos Livros (chancela da Colares Editora).
    Teremos connosco para falar das Sintras de Llansol a sua editora durante mais de dez anos, Maria Rolim, que conversará com João Barrento e Maria Etelvina Santos. E também a actriz Margarida Carpinteiro, que conheceu a Maria Gabriela e lerá alguns textos do livro. E mostraremos ainda o video que documenta estas deambulações de Llansol por Sintra e Colares. O livro estará à venda a preço especial neste dia.
    E nele se pode ler, entre muitas outras reflexões de M. G. Llansol sobre lugares, paisagens, e a vibração particular que os anima, ou que ela neles descobre:
    ________ quando a vibração deixa os lugares, despe-os inexoravelmente. Tira-lhes camada ondulante após camada ondulante até chegarem a uma inexorável tristeza em que repousam para se despirem ainda mais...

    Vejo que a viagem começa no corpo quando este desliza do real para um outro real-não-existente. Não desliza para a fantasia: o nosso olhar vê uma parte da paisagem e, da outra, dá testemunho.

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